Cinco anos após sua estréia com Achados e Perdidos, o paulistano Curumin se prepara para lançar Japan Pop Show sob olhares mais atentos, já que neste meio tempo seu "samba mutante" ganhou bom alcance internacional.
O artista é representado, desde 2004, pelo selo Quannum, casa de DJ Shadow, Poets of Rythm e outros nomes do rap de ponta, nos Estados Unidos e na Europa.
Em conversa com o Banana Mecânica, Curumin fala sobre a expectativa em torno deste novo trabalho e as mudanças no som e na formação ao vivo. Agora em trio, com Curumin na bateria, os shows tendem a destacar a pegada rítmica, mas sem dispensar "maquininhas ninja".
Os paulistanos poderão acompanhar o pré-lançamento do disco no próximo sábado (10), na festa Mágica, na Livraria da Esquina, na Barra Funda.
Leia abaixo a entrevista:
Banana Mecânica: Seu segundo disco Japan Pop Show ainda nem foi lançado, mas já está causando certa repercussão, muitas vezes ressaltando-se a distribuição da Quannum ou sua participação numa compilação do iTunes – enfim, um "Curumin internacional". Como você vê esta movimentação? De alguma forma isso pode ajudar sua carreira no Brasil? Curumin: Até agora, as primeiras repercussões que vieram da gringa foram muito boas. E isso ajuda muito. Nego aqui vai escutar com mais atenção, mais curioso. Mas, de qualquer forma, fico meio apreensivo, porque quando faço um disco é outra relação com a parada; escuto de outro jeito. Quem vai ter a real noção se está bom ou não é quem vai só ouvir. No outro disco que lancei também foi assim. Você acaba de fazer e tem uma impressão; quando ele se lança ao mundo é que você realmente saca se aquilo que disse faz sentido para quem escuta ou se era uma viagem só sua.
Quais são suas expectativas com relação à carreira na gringa? A expectativa é a mesma em qualquer lugar: quero fazer meu som na sinceridade e poder chegar às pessoas que tenham a ver.
Para quem ouviu o Achados e Perdidos: o que se manteve daquela sonoridade e o que foi alterado? Pra mim, o JapanPopShow segue a trilha do Achados. Chega em outros lugares e descobre coisas diferentes, mas a idéia central é a mesma. Ele fica brincando com os ritmos afro-americanos como samba, soul, reggae e salsa, com as bobagens que eu gosto de falar. Só acho este um pouco mais na manha, mais lento, talvez um pouco mais soul que o outro. Mas algumas pessoas que escutaram vieram me dizer que acharam muito diferentes os dois discos, só que ninguém explica em que é diferente. Sei lá.
E para quem nunca ouviu Curumin, como você define o terreno musical pelo qual você se movimenta? Conversando outro dia sobre isso com um amigo, concluímos que o que eu faço é samba. Pode parecer absurdo, porque, de fato, não é o samba tradicional que se fez por anos e anos. Mas entendendo o samba como um tipo de música que se transforma, que evolui, que vai agregando ou se desfazendo de determinadas características conforme o tempo passa, acho que faço samba. Samba mutante.
Nas apresentações ao vivo mais recentes, a formação era de trio. Como você reproduz neste formato a riqueza de timbres e elementos das gravações? Acho que ao vivo a viagem é outra. O que conta mais é a energia, o balanço que você coloca, os veneninhos. E tendo menos coisas, o que é mais importante sobressai. Mas também não vou negar que os timbres dão o colorido da parada. E para isso a gente usa umas maquininhas ninjas.
Diego Franco diegortv@gmail.com |