Multiinstrumentista lança o disco Japan Pop Show na festa Mágica
Noite gelada de sábado,
numa portinha de uma rua quase deserta na Barra Funda. Livraria Da Esquina. Mais uma edição
da festa Mágica, realizada pela Agência
Alavanca em parceria com os DJs Fabs Grassi e Claudio
Szynkier. O público começa a chegar quando Curumin, a
grande atração da noite, ainda passa o som.
Após cervejas,
amigos se encontrando, pistinha animada, chega a hora do vamos ver: o
projeto do multiinstrumentista Luciano Nakata, destaque no festival
South by Southwest, no Texas, apresenta seu novo disco, Japan Pop
Show, em primeira mão no pequeno espaço da livraria que
vira club. Palco pequeno,
integrantes do trio tocando bem próximos e iluminação
discreta. Curumin e os Aipins começam pela crítica Mal
Estar Card. O som que sai da bateria, baixo e dos samplers
impressiona pela clareza e pelo peso, empolgando o público já
na primeira música.
A banda de Nakata, que
aqui assume os vocais e as baquetas, é formada por outros dois
pesos pesados, já tarimbados nos palcos após passagens
por diversas bandas. Além de Curumin, também tocam Loco
Sosa, baterista de Pélico e Los Pirata – só pra citar
alguns dos projetos nos quais está envolvido – e Lucas
Martins, atualmente baixista na banda da cantora Céu.
Os três tem à
frente, além de seus instrumentos, um sampler, de onde saem as
texturas do som – que deu uma bela evoluída de Achados e
Perdidos, estréia de Curumin, para Japan Pop Show. É
curioso ver Loco Sosa, sempre frenético com as baquetas, se
divertido apertando botões em um MPC.
O show mescla bem o
repertório dos dois álbuns, mas é o segundo que se
destaca, principalmente em Japan Pop Show, Kyoto e Caixa Preta, a
mais animada do disco (e que conta com participação de
BNegão e Lucas Santana). Ao final da
apresentação, Curumin entrega as baquetas a Loco Sosa e
pega um cavaquinho elétrico para Guerreiro e sua divertida
versão de Feira de Acari, do MC Batata, funk carioca que ganha
uma roupagem modernosa e que faz a pista chacoalhar para espantar de
vez o frio.
O show só não
foi nota dez porque faltou Magrela Fever, uma das melhores de seu novo álbum.
Há quem diga que também faltou guitarra, mas aí
já é coisa de roqueiro que não consegue se
adaptar às modernidades. O show termina e uma das mentes mais
criativas da nova safra da música brasileira coloca a mochila
nas costas e volta a circular pela festa, “na maciota, na boa”,
como diz em seu provável hit ignorado.
Texto e Fotos: Thiago Kazu kazu@bananamecanica.com.br





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