Pélico
O último dia de um homem sem juízo
Monga Records; 2008
Deixe essa vergonha de lado
Humor. Entre a temática muito pueril, ainda imatura, do Bazar Pamplona e o escatológico exagerado do Los Pirata, aparece Pélico. Em seu álbum de estréia, O último dia de um homem sem juízo, surge para ensinar o bom deboche, do mais inteligente, inspirado em temas populares, com uma das capacidades mais raras entre artistas atuais – rir de si próprio.
Cito BP e LP, que Pélico vem justamente acompanhado pelo baterista Loco Sosa e pelo baixista Jesus Sanchez, do Pirata, e trabalha em palcos com o Bazar. Parcerias que vêm a calhar: enquanto Pélico tem o toque criativo que lhes faltava, Loco, Jesus e o guitarrista Régis Damasceno (Cidadão Instigado, também integrante da banda dO Último dia) têm uma experiência no manejo dos instrumentos que não deixa transparecer o fato de ser um álbum de estréia. O rock é carregado, as guitarras são duas, acompanhadas de pedal e sintetizador, mas o som é limpo, bem acabado. O mais próximo do impecável que o rock pode chegar.
Amor. O deboche de Pélico denuncia a história de um coração partido. Divãs, uma última esperança, compras do mês, o criado-mudo e o batom esquecidos, pílulas, sorrisos diabólicos, impulsos e preces acompanham a ilusão que justifica a perda de juízo do músico.
Permeando o drama, notam-se influências de bolero e da música caipira americana. Drama este que culmina numa das faixas centrais do álbum, “Senhor do Meu Fim”, a canção mais Odair José dO Último dia, quiçá dos últimos anos.
Pélico resgata no rock o romântico brega dos anos 60/70, de Paulo Sérgio e Roberto Carlos. Segue o conselho do mestre Odair, deixa a vergonha de lado e canta sem pudores que amor tem que ser amor, com muito bom humor. Pélico é ridículo, recomendo.
Stephanie Fernandes
Celophanie @ gmail.com