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04/05/2009
Comadre Fulozinha
Vou Voltar Andando

Banda comandada por Karina Buhr lança novo disco após seis anos


A Comadre Fulozinha é daquelas bandas de que você não escuta muito falar, mas sabe que está ali e de tempos em tempos vê que vai tocar em algum lugar. Numa dessas, mês passado, a banda tocou no CCSP, lançando o terceiro disco, Vou Voltar Andando, seis anos depois de Tocar na Banda, o álbum anterior.

E que surpresa boa. Estes anos entre um disco e outro resultaram em uma obra feita com calma – e para ser apreciada com a mesma calma. As dez músicas não foram feitas para se ouvir no trânsito, desviando de motoboy. São para ouvir com apuro, pegando cada batida de pandeiro, os sopros, as alfaias e o delicioso sotaque de Karina Buhr. Em uma primeira audição, ele parece ser um pouco repetitivo, com músicas que poderiam acabar antes. Quando se tira o “ritmo de São Paulo”, fica fácil, aí é o disco que acaba rápido demais.

A pernambucana Karina, autora de todas as letras do disco, parece ter incorporado algo de São Paulo. Partindo do nome do disco, Vou Voltar Andando, todas as músicas, com exceção de Mambu e Abacaxia, falam sobre passagens, caminhos, idas e vindas. O tema que permeia o disco fica explícito em Falta de Sorte - “Cheguei em São Paulo tava doente/peguei um transporte/um dia eu cheguei//Eu tinha uma impressão tão forte/em São Paulo ficou corrida” - transformando este trabalho em algo mais “urbano” que as canções dos dois primeiros discos.

A “nova” temática, porém, não deixa de lado os elementos que fizeram a identidade da banda: a percussão bem marcada, com participações econômicas e precisas de instrumentos de sopro e os coros femininos – que diminuíram bastante.

No disco falta uma música com o carisma de Amaralina, hit do trabalho anterior. As duas que chegam mais próximas e que devem estar no repertório da banda nos próximos anos são Presta Atenção e 2 de Janeiro, sem dúvidas as melhores do disco.

Ainda assim, Vou Voltar Andando é um disco muito mais bem acabado que os trabalhos anteriores e mostra o quanto a banda amadureceu desde uma certa apresentação no Abril pro Rock (98, se não me engano), na qual Karina conquistou fãs que, como eu, viram a gravação de Perolito feita pela MTV. (A música continua sendo a minha favorita, pela simpática e improvável rima de 'Sergipe” com “pirulito”).

As letras que antes eram cantadas apenas em coro, agora estão concentradas na linda voz de Karina, o que as deixa com um tom mais pessoal, ideal para o tipo de som da banda.

Legal como o disco é a iniciativa de disponibilizá-lo para download gratuito no perfil da banda no Trama Virtual. Nos shows, o disco pode ser comprado por R$ 5 em formato SMD. 

Thiago Kaczuroski
kazu@bananamecanica.com.br

 

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