Evento reúne rappers que se desafiam em uma interessante batalha de rimas
Realizada a cada 15 dias, sempre às sexas, a Rinha de Mcs reúne rappers que tentam mostrar seu talento das rimas em batalhas de alguns segundos. O evento já passou por diversos lugares e agora é residente no Executivo Bar, no Centro de São Paulo.
O evento é organizado pelo MC Criolo Doido – criador da Rinha – e pelos DJs Marco e Dan Dan e conta sempre com convidados apresentando as batalhas e fazendo shows ao final da noite.
Apesar do nome, a “briga” fica apenas nas palavras, seguindo regras de boa conduta, como não falar da mãe alheia e maneirar ao criticar a sexualidade do oponente. Realizado o sorteio, os rapper se encaram no palco, e ao som de uma batida tentam desmoralizar o outro, para delírio da platéia.
A festa da última sexta-feira começou em clima animado, com o DJs comandando o som – em sua maioria rap internacional. Quando algum artista nacional chegava às caixas de som, a festa se agitava e os versos eram cantados a plenos pulmões.
Por volta da 1h abrem-se as inscrições para quem quiser se aventurar com o microfone. É preciso cautela, porém, uma engasgada, ou um “branco” em cima do palco será motivo para piadas. Seis corajosos resolvem se aventurar, todos representando diferentes “quebradas” de São Paulo, menos MC Gigante, que “batalha” por Goiânia.
Logo no primeiro combate, Gigante é desafiado por Mamute. Encontro de pesos pesados no palco e nas rimas. No melhor confronto da noite – que você assiste abaixo – os três rounds de 40 segundos são disputadíssimos. No primeiro, Gigante leva. Mamute, que começa o segundo consegue desbancar o “estrangeiro”, usando alusões ao ritmo sertanejo da terra natal do adversário.
Em vez de se abater, Gigante lança a provocação que foi lembrada durante toda a noite: “Vim de Goiânia para te ensinar a tocar berrante”, levanto a platéia – e os apresentadores - ao delírio. Até o segurança, na saída, cumprimentou o MC. “Representou mesmo, essas rimas até arrepiaram”, disse o homem de terno, que ganhou o CD Engole a Seco, que Gigante vendia a R$ 5 na porta para divulgar seu trabalho.
Aí ficou fácil. Com adversários bem mais fracos, Gigante venceu com sobra a final, se tornando o campeão da noite. Nem mesmo o MC Pelé, que contava com o carisma da platéia, foi páreo para o goiano.
Mesmo após os ataques, os Mcs se cumprimentam elogiando as performances uns dos outros. Ninguém tira satisfação, mantendo o clima animado promovido pelos MCs Criolo Doido, criador e apresentador da Rinha e de Kamau, apresentador convidado da noite.
Show
Após as batalhas, subiu ao palco Slim Rimografia. Em vez de ataques, a delicadeza e o som criativo de um dos artistas mais “elegantes” da cena paulistana.
Além, é claro, das batidas pesadas, Slim não se limita e adiciona jazz, samba, Miami Bass e até Frevo ao seu som, que coloca para dançar até os mais mau encarados da festa. Ele apresentou músicas de seus dois primeiros discos, Financeiramente Pobre e Introspectivo (este que conta com as ótimas Sol e Gozolândia) além de seu novo single, a excelente Canto de Vitória.
Junto do competente DJ Thiago BeatBox e do tecladista/violonista Filiph Neo que às vezes solta a voz – e que voz – na soul music, Slim Rimografia encerrou a noite em alto estilo.
Thiago Kaczuroski kazu@bananamecanica.com.br
Veja o início da Rinha dos MCs, com o confronto entre os MCs Mamute e Gigante: