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08/05/2009
Mojo Workers no Berlin
Banda conta a história do Blues em animado show


Eis que estava eu em um cubículo rabiscado, apertado e molhado. Caminhei até o quadrado vermelho mais próximo e me encontrei com um sapo de chifres. Ele me contou a história do blues.

Quarta-feira, 29 de abril. Fui ao Berlin assistir a um show de meninos que resolveram beber da fonte. A banda Mojo Workers é uma boa contadora de histórias em forma de blues.

O ocorrido foi esse mesmo. Saí do banheiro e conheci o guitarrista da banda, que como os grandes bluezeiros do passado, também tem um bigode e um codinome: Bullfrog, assim como os outros integrantes da banda-arca: Turttle Thomaz, Harpfish, Mr. Checkon e Lizard Leo. Em menos de uma hora eles me contaram não só a história da banda, mas a história do blues.

Eles são da minha geração, do tipo jovens agora. Nascemos ouvindo um pop barato nas rádios, e aprendemos a entender o que é música com os caras dos anos 60, como Jimi Hendrix e família. Pois bem, demora um pouco pra gente sacar que toda a história tem seu início: "O blues teve um bebê, e ele ganhou o nome de rock 'n' roll".

O blues dos Mojo é aquele que saiu das fazendas dos Estados Unidos e foi para as cidades, onde ganhou eletricidade e rapidez. Essa foi a primeira parte do show. Muito Muddy Waters, Little Walter, John Lee Hooker. Depois do intervalo veio um blues mais dançante, quase anos 50, um minuto antes de virar rock. Chuck Berry, Ray Charles. A galera pirou.

O público era um misto de músicos e amigos dos músicos, o que não é pouca gente. Aquela também era a noite de lançamento do novo álbum do Garotas Suecas. Como o som das duas bandas tem esse flerte com o passado, e o público compareceu a caráter, o Berlin parecia o lugar perfeito para esta despojada reunião de amigos que acontecia há algumas décadas atrás. O repertório também caiu perfeitamente, e o fato da maioria das músicas serem pouco conhecidas não incomodou ninguém.

Os Mojo Workers fazem uma linha bem diferente do típico bluesmen solitário, que compõe, canta e toca gaita sozinho. A banda compartilha as músicas na forma de coros. Mesmo as mais choradas tem vocal simultâneo de todos os integrantes da banda, que se espremem nos microfones e no palco reduzido do Berlin. As meninas não deixam por menos, chegam junto e dançam sem cerimônia pertinho dos bluezeiros boa-pinta da banda. A lamentação típica do blues deixa de ser solitária. Esse é um dos temperos dos Mojo.
O segundo é a descontração. No show não há playlist. Eles, entre si e com a platéia, discutem qual será a próxima música entre as mais de cem que estão no repertório, claro que Got My Mojo Working raramente fica de fora. E o tempero final a própria banda define: "blues with a feeling", realmente.

Apesar de não ser o foco do show, eles tem músicas próprias, que fazem jus às referências (myspace.com/themojoworkersbluesband). Sim, os Mojo Workers estão trabalhando duro. E merecem um aumento.


Priscilla Oliveira
priscilla_ogoncalves@hotmail.com


 

 

 


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