Home Banana Mecânica: música independente às dúzias

 Notícias
 Agenda
 Especiais
 Discos
 Shows
 Podcast
 Info

 
 
 

 


05/12/2006


Pancadaria sonora do quarterto norte-americano mostra o que o metal tem de melhor: peso e diversão

O metal é dos gêneros mais intrigantes. Por trás das letras sobre sangue, demônios, dragões e assassinos seriais com dentes afiados com lixa de unha, estão músicos com um estranho senso de humor. E, claro, diante de um público alinhado à mesma diretriz. Mesmo quando, na adolescência, ouvia K7s gravadas com maravilhas como Hit The Lights, do Metallica, e Aces High, do Iron Maiden, não tinha consciência do propósito nobre daqueles músicos cabeludos: divertir. Solos rocambolescos (de preferência com duas ou três guitarras em harmonia), riffs abafados e agudos impossíveis são o ápice da picardia roqueira. É uma gramática específica, que não se traduz com exatidão em nenhum outro gênero, e funciona que é uma beleza entre grandes multidões. Algo a ser levado a sério, quando feito sem se levar a sério demais. Quando sisudo, o metal fica enfadonho, ridículo e deprimente.

Chega a ser revigorante chacoalhar o crânio ao som do Mastodon. Poucas bandas contemporâneas de metal capturaram tão bem o espírito do estilo - e o recriaram com tamanha personalidade - quanto esse quarteto norte-americano. Ainda gasta-se muitas calorias na tentativa de rotulá-los. A síntese mais próxima, até agora, crava que os manos tocam um negócio chamado sludge metal - mistura bastarda de doom metal e hardcore -, mas com toques progressivos e, acrescento aqui, psicodélicos. Soa a gororoba sonora, mas não é. Na verdade, os caras fundem tudo com tamanha habilidade e conhecimento de causa que fica difícil se apegar a rótulos depois que tudo contamina o cérebro. Basta ouvir seu terceiro e mais recente álbum, Blood Mountain, êxito completo no quesito pancadaria musical.

Logo na primeira faixa, The Wolf is Loose, nada prepara para a bateria de Brann Dailor, talvez o músico que mais se destaque do conjunto (excelente, que se diga). Rápido, pesado e criativo, já se anuncia como uma das referências que a gurizada mais antenada deve emular quando estiver dando suas primeiras batucadas por aí.

A bateria de Dailor, de certa forma, comunga das mesmas qualidades que o restante do disco. O balaio de gêneros acima citados não necessariamente figuram todos em uma mesma música, mas se sucedem com naturalidade. Depois da primeira faixa, que alterna tosqueira punk e mudanças de andamento inesperadas, segue-se Crystal Skull, com seu riff-montanha-russa clássico até o osso, e Sleeping Giant, trilha de algum épico ainda não filmado, com direito a sutis violões por trás das guitarras.

A alternância de estilos ganha ares de provocação com Bladecatcher, que vai do jazz do inferno, pura música de fundo de um ataque de tubarões, até solos com guitarras dobradas, de uma fidelidade ao cânone metaleiro que chega a emocionar. Cânone representado também em Colony of Birchmen (com participação de Josh Homme, do Queens of the Stone Age), faixa mais "tradicional" do álbum, mas não menos empolgante.

Já o lado progressivo & psicodélico do disco pode ser conprovado em pérolas como This Mortal Soil ou Capillarian Crest, pedradas viajandonas que te largam em queda livre rumo ao fundo de um poço instrumental vertiginoso. Não confunda com chatices como Dream Theater e derivados pois a ênfase aqui é na maldade sonora, não na masturbação de escalas mixolídio.

Metal não fica melhor que isso. Pesado, rápido e divertido pra diabos, Mastodon surge como um dos expoentes de grupo que inclui Dillinger Escape Plan e Lamb of God, bandas que maltratam o tímpano do ouvinte, mas com classe.

Daniel Lima
dlimasouza@gmail.com


 

RSS   +del.icio.us   + digg   + facebook   + mugg



 

 


Compare Produtos, Lojas e Preços

 


© 2008 Banana Mecânica - oi@bananamecanica.com.br - vezes*Zack Wire





Shows às pencas pra montar sua agenda de baciada!



Agenda completa


Produtos da horta direto para a sua casa