18/12/2007
Hurtmold
Hurtmold
(Submarine Records; 2007)
Experimentalismo e senso pop para além do comum
Impressionante é o Hurtmold. Ouvindo o novo e auto-intitulado disco da banda é bastante provável que você se veja obrigado a apertar repeat de maneira compulsiva, pois o álbum é fantástico em cada segundo de cada uma das suas sete músicas. Instrumentistas dos mais criativos, os caras conseguem, como poucos, juntar experimentalismo e – por que não? – um interessante senso pop. Em meio a belas e livres e quebradas estruturas, é bem normal que o mesmo ouvinte se pegue cantando solos de guitarra ou batucando junto com improváveis pandeiros. Não se tratam de passagens repetitivas e/ou cansativas, como aquelas comuns ao que se entende por pop...
Você talvez não só ouça, mas veja a guitarra demente de Churumba e a gigantesca densidade sonora de Smootz Da Police e Deni, e se senta em casa. No entanto, não em uma casa louca, de quadros tortos e sujeira multiplicada, mas em um lugar realmente bonito.
Sabe aquela música tal – de banda tal – que você tanto ama? Existe nela uma parte instrumental que é simplesmente absurda e que é responsável por 90% de sua predileção pela faixa, correto? Pois então: essa passagem é Hurtmold! O novo álbum é dotado de diversos trechos que nunca mais sairão de sua cabeça e que lhe farão pensar que sua banda favorita, seja ela qual for, ainda tem muito a crescer.
Sabo. Quarta faixa. Não sei o que dizer. Aliás, palavras talvez não sejam a melhor forma de falar do trabalho recém-criado pelo grupo paulistano. Qualquer tentativa de explicar o inexplicável é ridícula, mas tentemos, certo? E por mais que o Hurtmold se diga paulistano, desconfio seriamente que seja de outro planeta.
Marcio Teixeira de Mello
teixeirademello3@gmail.com