Terminal Guadalupe decepciona em show que contou com Los Porongas e Macaco Bong
Dezenas ou até centenas. São tantas as bandas independentes Brasil afora que mal conseguimos acompanhar. Poucas são as não-paulistanas que conseguem chamar atenção de público e mídia especializada. Por esse motivo existem eventos como a Noite Fora do Eixo, trazendo os destaques mais longínquos. A escalação do último sábado (dia 16) contou com Los Porongas (AC), Macaco Bong (MT) e Terminal Guadalupe (PR).
Os poucos que estavam presentes acomodaram-se nas cadeiras da sala Adoniran Barbosa, que finalmente contava com uma boa iluminação. Começando com uma boa promessa, o Los Porongas abria a noite, divulgando o pocket-show do Macaco Bong, até então inédito. “Bem vindos à nova música brasileira” bradava Diogo Soares, vocalista dos Porongas, fazendo aumentar ainda mais as expectativas.
Todo o lirismo da música Lego das Palavras deixou o espaço com um ar ao mesmo tempo empolgante e envolvente. Ambiente esse mantido por toda a apresentação dos acreanos. O instrumental impressionava, com sua bateria bem marcada, fazendo o lugar tremer com tanta química entre vocal, guitarra e, conseqüentemente, baixo. O grupo provou competência e mostrou como fazer rock sem poses. Sentindo a excitação do público, Soares dedica Nada Além para São Paulo. Os refrões passam então a ser cantados em coro pelo público na primeira fileira, na sua maioria adolescente e feminino.
Após a merecida ovação, Soares aproveita e divulga o site da banda para quem quiser baixar o disco integral e gratuitamente. Chega a vez dos mato-grossenses Macaco Bong subirem ao palco. Ney Hugo, que comanda o baixo, anuncia rispidamente quem são e avisa que o lançamento do primeiro disco está próximo. Começam com seu surf-jazz-instrumental a toda força, tendo seus altos e baixos durante. Às vezes faziam seus instrumentos falarem com o público, em outras pareciam tocar uma música interminável. A única-canção-pocket-show (ou duas em uma) terminou com um gosto de bis. Mas talvez a falta de carisma do power trio não agradou a platéia, entretida e contida.
Agora eram os curitibanos do Terminal Guadalupe que assumiam o lugar, com status de banda principal. Depois de chamarem a atenção com o último disco, A Marcha dos Invisíveis, era a hora de mostrarem sua força ao vivo. Pena que nem tudo são rosas e o quinteto decepcionou. A estranheza partia primeiro tecnicamente, com desarranjos instrumentais que deixaram a desejar, comparados às versões de estúdio. Outro tropeço foi a estrutura da apresentação, juntando a politização das últimas músicas com baladas românticas dos primórdios, o que fez o show ficar mal resolvido.
Pausa para a cena. Como se não fosse o bastante ver os pulos de pernas abertas do vocal Dary Jr., o guitarrista Allan teve o ímpeto de quebrar sua guitarra – algo difícil de presenciar no circuito independente. Paradoxalmente, Dary anunciava a venda do disco, em formato SMD, a treze reais.
A Noite Fora do Eixo apresentou um panorama interessante. Em comum, todos se mostravam independentes, oferecendo e vendendo seus trabalhos através de novas tecnologias ou gravadoras.
Texto e fotos: Marcelo Santos Costa marceloadsc@gmail.com
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